Leia “Entrevista com o vampiro” 📚
Um livro sobre o terror de ser ou não humano. E sangue, muito sangue.
Podés leer este texto en español aquí.
Tenho uma grande amiga que me falou sobre Nova Orleans, uma cidade nos Estados Unidos que ganhou seu coração por causa do Mardi Gras e de “Entrevista com o vampiro”. Eu, que adoro recomendações de destinos baseadas em livros, fiz uma nota mental de que um dia deveria ler essa obra clássica escrita por Anne Rice. Esse dia chegou! E agora, além de sentir que preciso ir pra Nova Orleans, criei uma nova necessidade de seguir lendo todas as histórias de tragédias vampirescas dessa escritora norte-americana.
“People who cease to believe un God or goodness altogether still believe in the devil. I don’t know why. No, I do indeed know why. Evil is always possible. And goodness is eternally difficult.”
(”As pessoas que deixam de acreditar completamente em Deus ou na bondade ainda acreditam no diabo. Não sei porque. Não, eu sei sim. A maldade sempre é possível. E a bondade é algo eternamente difícil”, tradução livre)
Escrita em 1976, “Entrevista com o vampiro” inicia a série que apresentou “O vampiro Lestat” e “A rainha dos condenados”, levando os críticos à descoberta de que se trata da mais voluptuosa e sedutora história de horror do nosso tempo.
Uma história que começa com a ousadia de um jovem repórter ao entrevistar Louis de Pointe du Lac, nascido em 1766 e transformado em vampiro pelo próprio Lestat, figura apaixonante que terminará, ao longo da série, arrebatando multidões como cantor de rock.
— Quer dizer que ele sugou o seu sangue? — perguntou o rapaz.
— Sim - o vampiro sorriu. - É assim que se faz.
Talvez você já tenha visto o filme de 94 inspirado no livro, mas te garanto que ler a história original é uma experiência à parte. A trama se desenrola como um relato de um vampiro que decide contar a história de sua vida a um jornalista. Louis começa explicando como se transformou naquele ser sobrenatural, abandonando completamente sua vida como um simples fazendeiro para se tornar algo não humano, capaz de coisas grandiosas e terríveis. Tão temível quanto sedutor.
Enquanto Louis reflete sobre sua condição de alguém que precisa assassinar para poder existir, conhecemos sua relação de amor e ódio com seu vampiro criador, Lestat, com quem forma um vínculo doentio. Os anos (e séculos) passam, e logo essa bizarra família cresce com a chegada de Claudia, uma menina-vampira que desempenha um papel similar ao de filha para os vampiros mais velhos.
Acompanhamos a jornada do vampiro e, assim como o jornalista que escuta tal relato, vamos nos maravilhando e assustando com todas as coisas que Louis, Lestat e Claudia vivem, com seu prazer e sua dor. Embora possam viver pra sempre congelados em uma juventude eterna, eles não podem sair à luz do sol nem se relacionar com humanos normais. O medo de ser descobertos é grande e embora pareçam ter a vida perfeita, também é verdade que precisam viver essa vida nas sombras.
Louis se enxerga como um vilão e sente grande culpa por tirar a vida de tantas pessoas. Matar um vampiro é quase impossível, mas um vampiro que não mata também é praticamente inviável. Para nosso herói, ser um vampiro é uma maldição e ele não espera redenção ou paz. Constantemente, sua forma de ver sua própria espécie entra em choque com a de Lestat, que visualiza o mundo como seu parque de diversões e acredita que é seu direito como uma criatura superior usufruir de todas as delícias que tiver ao seu alcance. Entre aventuras e discussões éticas, Louis e o jornalista se aprofundam nessa história de séculos que passam em um piscar de olhos, amores que são a ruína uns dos outros e nulas possibilidades de um final feliz.
“Entrevista com o vampiro” é o primeiro livro das Crônicas Vampirescas, uma série de obras sobre essas criaturas apaixonantes que foram publicadas desde 1976 até 2018. Com certeza lerei outros livros dessa autora, que também escreve sobre bruxas, múmias e outros seres sobrenaturais. O horror gótico era mesmo a praia dessa mulher!
Gosto de histórias de terror, romances dark, mundos paralelos e terríveis onde criaturas como vampiros existem de verdade. Mas no caso de “Entrevista com o vampiro” o que me cativou foi ver um desses mundos sob a perspectiva de um vampiro cansado, machucado e completamente desacreditado de si mesmo e da sua realidade desumana.
Ou será que não era um restinho de humanidade o que fazia Louis sentir tanta culpa e tristeza? Pergunta que fica ecoando em nossa mente depois de ler o livro.
Mais sobre a história e a autora:
No site de Anne Rice podemos conhecer as Crônicas e muitas outras obras da autora.
Há uma nova série inspirada no livro, que eu ainda não assisti. Mas escutei boas coisas sobre.
Várias opiniões sobre o livro no Skoob. E outra resenha aqui.





Nunca assisti o filme aguardando ler primeiro o livro.
Vou ver se animo ainda esse ano.
um beijo, Regie
Adoro a temática vampiresca!! Preciso urgente ler Drácula....
Sobre Entrevista com Vampiro, vi o filme e assisti essa nova série!! Muito boa, você vai gostar.
Beijos!